sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Primeiro passo na escrita

Fui alfabetizada com a cartilha " Caminho Suave", que trazia na capa uma escola e crianças caminhando até ela com imensa alegria; e guardo esta cartilha ainda até hoje. Quantas alegrias este livro me proporcionou; a cada página virada, um desenho, uma letra. E a minha professora muito gentil e dedicada, Professora Vera Lúcia, segurou-me a mão na tentativa de ajudar-me a desenhar a letra "A", depois o 'B", e assim as outras, também me ensinou a ler e a contar. O gosto pela leitura aumentava a cada dia, então depois que chegava da escola me reunia com minhas amigas para fazer pic-nic ( tinha groselha, pão fresquinho passado margarina e açúcar), uma toalha estendida no chão e uma caixa de gibiis, isso quase todos os dias; sentávamos debaixo da árvore grande (como assim chamávamos),de fronte a um rio, para ler gibis da Mônica, liámos em silêncio, em voz alta, depois comentávamos sobre as histórias lidas e tinhamos na época caixas de gibis, nosso bem precioso, inclusive ainda tenho quardado alguns e foi assim que apaixonei-me pela leitura logo de início. Mas na verdade a primeira leitura bem feita foi ao lado do meu pai e de minha mãe que me ajudavam a vencer os obstáculos das escritas, das operações de Matemática e das leituras e foi de uma oração, a "Oracão de São Francisco de Assis", lembro-me que quando terminei de ler havia uma satisfação de todos ao redor, pois li sem tropeças nas palavras

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sobre os depoimentos de Leitura e Escrita na escola

Esta coletânea de experiências vividas por nós (um grupo de professoras cursistas), há algum tempo, faz-nos perceber que o passado pode interagir com o presente de uma maneira mágica, sedutora. Este encantamento possibilita, a cada uma, a percepção de que de que "a vida é o maior espetáculo da Terra" (do romance Água para elefantes - Sara Gruen)... Um passado distante, presente na tela da Era Digital!

Rosa Marlene Frata Carvalho

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Minhas memórias de infância, dentro da leitura e escrita...



O meu  depoimento, a partir da leitura realizada produzida por meus colegas, me fez voltar ao passado e redescobrir coisas de minha memória que estavam escondidas, como por exemplo, o meu gosto pela leitura, pela escrita, pelo conhecimento.
Eu tive uma infância muito pobre, com muitas dificuldades, mamãe trabalhava muito, papai também, éramos quatro irmãos e eu a mais velha, nesta época, ainda morávamos em Itapira.
Não tive a oportunidade assim como meus irmãos de freqüentar o que se chamava na época de parquinho, ou pré, tudo o que aprendi foi na raça, na vontade de permanecer viva e agora tenho que certeza de que essa força para aprender, a gostar de ler vem de minha mãe, que mesmo sendo uma mulher sem muito estudo, sempre gostou de ler, sempre tinha um livro em casa, ela mesmo cansada, olhava meus cadernos e me incentivava a me dedicar, a ser a melhor da sala, pois talvez essa fosse à única chance que eu tinha de vencer na vida.
A minha vontade, a minha inspiração, fez de mim a pessoa que sou hoje, graças ao incentivo, o carinho de minha mãe, que me ensinou também através de suas ações como mulher, como mãe, como ser humano, a nunca desistir, de confiar em meus sonhos, em mesmo sem sair de minha casa poder conhecer o mundo, as notícias, através da leitura. Encontrei o meu primeiro caderno o que me deixou muito emocionada, poder folheá-lo, e saber que quem o guardou foi minha mãe, para um dia me devolver, para que pudesse perceber as transformações da minha vida, e ter sem um outro olhar diante do mundo, através do conhecimento, do que escrevo, do leio, o quanto aprendi e irei aprender enquanto estiver viva, do que transmito... Gosto de ler de tudo um pouco e trabalhar com todo tipo de leitura, não somente a escrita, mas todas as que estão em nossa volta.

É muito bom ser criança, e com o depoimento  me fez lembrar como era boa quando sentávamos todos em volta da minha avó e ela começava contar histórias para nós, momentos maravilhosos, me fez lembrar também que quem me levou na escola no meu primeiro dia de aulas foi meu avô, eu morrendo de medo, mas ele com toda a sua calma e sabedoria, me tranqüilizou.
Lendo um dos depoimentos me fez reviver, foi que sempre fiz um diário, e até pouco tempo atrás, não mais no diário, mas em algumas páginas da agenda escrevia meus momentos, e que depois de algum tempo, eu relia e muitas vezes nem mesmo me reconhecia, ou não entendia como poderia ter passado por tudo o que lá estava registrado.
A memória foi chegando, e  me fez lembrar que também adorava ler os romances de Sidney Sheldon, acredito que li todos... que delicia me lembrar disso.
E o interessante é que agora tenho a oportunidade de poder dividir essas experiências tão intensas em minha vida com meus colegas, o que me deixa muito feliz.

Rosa Maria Francisca Tavares

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Experiência de leitura,inesquecível

Colegas,tudo bem?
Lembro-me como se fosse hoje...
Aos 5 anos, mais ou menos,sem ainda frequentar a escola,pois morava no sítio e a escola rural chamada  "Escola  Mista da Fazenda São José",atendia alunos do 1º ao 3º ano,não havia educação infantil,o espaço destinado ao contato com as letras, antes dos 7 anos completos.
Família grande,uma enorme sala na casa de meus avós onde todos,do mais jovem ao mais velho,todas as noites,se reuniam para contar histórias.Nós,crianças,apenas ouvíamos maravilhadas,nem que tivéssemos que dormir com a "luz acesa",pois adorávamos as de assombração.Todas as manhãs,minha mãe ligava o rádio porque havia "historinhas",como carinhosamente,ela dizia.:Chapeuzinho vermelho,A bela e a fera,Os  três porquinhos etc..Quando tinha  tempo,na hora do almoço,contava-nos histórias que sua professora lhe contava ou cantava versinhos que havia aprendido,também na escola rural.Com tudo isso,minha vontade de aprender a ler e escrever ia aumentando dia a dia...
 Pois bem.  Meu irmão mais velho já estudava na cidade no 1º ano ginasial e tinha aulas de Francês.Certa vez,levou um livro  para ler em casa,tudo em francês.Deixou-o sobre a mesa chamando minha atenção pelo colorido da capa.Peguei-o e comecei a folheá-lo ,havia um belo alce na 1ª página.Que lindo!Que vontade de ler aquelas palvras e saber o que queriam dizer,conhecer a história daquele animal altivo e lindo!Então, num momento mágico,rapidamente,chamei minhas coleguinhas da vizinhança para "ouvir" uma história "lida" por mim.
Atrás do curral,próxima a um córrego,havia uma paineira com um toco de outra árvore,embaixo dela,que nos convidava a sentar ali,o lugar ideal para a minha "aula de leitura".Sentamo-nos.Enchi-me de magia,emoção,encantamento e imaginação...fui "lendo" a história página por página,o que meu imaginário dizia de acordo com as figuras que iam aparecendo,dando o final feliz que toda criança quer.
Esta foi minha primeira e inesquecível "aula de leitura".
 

domingo, 21 de outubro de 2012

Os livros que nunca esqueci



Olá, pessoal!



Primeiramente, o gostaria de dizer o que marcou para mim, no meu depoimento sobre leitura e escrita, foram os livros da coleção Vagalume, principalmente, Zezinho, o dono da porquinha preta; Açúcar Amargo; Aventuras de Xisto; O Rapto do Garoto de Ouro etc. Esses ainda retenho lembranças, algumas das emoções que ficaram... O medo dos perigos (como em O Rapto do Garoto de Ouro), a agonia de algo que não podia ser mudado e de difícil aceitação (Zezinho, o dono da porquinha preta). Todos eles vinham com exercícios para você fazer e não deu outra, depois da leitura e, às vezes, durante a mesma, lá estava preenchendo, respondendo as perguntas.
Posteriormente, vieram outros livros: Alice no país das maravilhas, Pollyanna e Pollyanna Moça. No entanto, esses dois últimos não foram recomendação da escola. Acho que foi um fim de semana, provavelmente sábado, não me lembro bem quando. Estava um dia ensolarado e minha mãe e eu fomos comprar algo próximo ao Fórum da João Mendes, lá na Praça da Sé. Entramos numa sebo e enquanto a minha mãe olhava os livros, eu me deparei com a foto de uma menina e o título Pollyanna, minha curiosidade bateu na hora e fiquei querendo tanto o livro que se minha mãe não tivesse dinheiro suficiente naquela hora, estava disposta a implorar para reservá-lo, e, nessa época, ainda criança, eu era muito tímida e tomar uma atitude dessa significava superar muita timidez, mas por incrível que pareça quando eu queria muito algo pegava coragem não sei da onde e lá ia eu resolver o problema... Felizmente, minha mãe comprou o livro para mim, o devorei em poucos dias e resolvi colocar em prática o jogo do contente na vida real. Então, escrevi uma carta para uma colega já era final de ano e as pessoas geralmente mandavam cartões de Natal e inclusive eu, que adorava fazer isso. Na carta comecei a contar como foi meu ano e o que pretendia fazer após ter lido o livro da Pollyanna e também quis ensinar o jogo do contente para praticarmos etc. Muito entusiasmada com tudo aquilo aguardei pacientemente a resposta dessa carta especial. Entretanto, minha colega pareceu que não havia entendido bem o objetivo do jogo e respondeu, digamos, muito friamente sobre tudo, meu entusiasmo esfriou e até senti um pouco de vergonha, um pouco tola até. Daí por diante procurava ser otimista, mas não com tanto entusiasmo. O Pollyanna Moça veio bem mais tarde da mesma forma e lugar. Também foi uma surpresa, porque até aquele momento, não sabia que o livro tinha uma continuação.
Hoje, não os tenho mais. É possível que essa história tenha  marcado de alguma forma outra criança novamente. Às vezes, sinto falta deles, tentei comprá-los de novo, mas não é a mesma coisa. Aqueles eram diferentes, especiais, não sei bem...